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Onde o Mar Abraça

Onde o Mar Abraça

Quanto mais penso, mais reflito nas coisas boas e simples que me aqueciam o coração. Quando era apenas uma miúda com o coração ocupado por um rapaz super good vibes, um elogio da parte dele coloria o meu dia (ou noite, que era quando nos víamos). Naquela fase obscura, onde nenhum raio de luz se atrevia a entrar na minha caverna, ele era a minha luz no final do túnel.

Por causa dele e da promessa que fiz com ele, deixei de mutilar-me por algum tempo. As horas eram passadas a conversar de tudo. Não haviam horas mortas, falta de conversa. Apaixonei-me a valer naquele ano e todos os momentos, não românticos, que passei ao seu lado são dos que guardo com mais carinho.

Em questão, relembro-me constantemente de um episódio em que fui vestida all blackcomo sempre andava naquela altura –, e despercebida passei. Passado uns segundos, ele saiu de propósito da sala de aula onde estava, para me dizer “estás linda hoje”. O sorriso, que nunca me aparecia, apareceu ali. Porque era genuíno o seu comentário e naquela altura só aquele tipo de comentários é que me faziam feliz. Hoje, apercebo-me da quantidade de elogios que me deu, não pelo físico mas por tudo o que eu era e não sabia.

Apercebo-me no final desta reflexão que nunca mais estive apaixonada. Desde 2014 que não sei o que é ter borboletas na barriga. Todos os meus relacionamentos foram feitos de paixões mais fracas, não menos importantes, mas que não me davam aquele nervoso miudinho ou me deixavam por horas e horas na cama, a pensar no futuro com aquela pessoa.

As minhas relações foram começadas por carência. Esta é a verdade mais cruel que admito a mim própria e aos demais (a vocês). Nunca foi amor. Nunca foi paixão. Foi apenas carência. E foi por ser carência que me envolvi com quem não devia, que atraio quem não sou de todo compatível. É carência. Nunca será amor. E é por isso que farto-me rápido, que sufoco, que detesto namorar e sair e fazer “coisas de casais”, pois não me sinto apaixonada, não estou a viver aquela fase “glitter” ou “arco-íris”. Não existem borboletas. Existe apenas a minha carência. O meu medo de estar sozinha e o não saber lidar com isso. (Ainda.)

Por tais razões e muitas mais, sei que a Carolina apaixonada aos 14 anos era bem mais feliz que eu. Com a sua história complicada na altura, com os seus cortes e a sua doença. Era mais feliz. Rio-me, ao escrever isto, porque, na altura, jamais acreditaria nisto que escrevo. Só que era feliz. Era-o e não sabia. Era porque sabia priorizar-me, não me envolvia com qualquer pessoa, porque deixava-me sentir primeiro a paixão e só depois tentava algo mais.

Não avançou. As minhas paixões nunca avançaram. Mas são minhas. Hoje em dia, fazem-me sorrir, logo valeram a pena. Aprendi muito com elas. É pena ter desaprendido que, para se avançar para uma relação é necessário estar-se apaixonado. Que é coisa que já nem sei o que é.

Tenho 21 anos. Sou a Carolina. A que diz que não chora por ninguém (mas chora), a que é resmungona, cabeça dura, teimosa e já não sei o que é estar apaixonada. Só sei o que é carência, dor e sufoco. Esta sou eu. É apenas uma pequena parte do que sou, mas das mais importantes, pois não sei o que é, atualmente, o amor porque não o sinto. Se não fosse assim, não seria a Carolina. Esta é a verdade mais cruel que guardei comigo todo este tempo. Chegou a hora de abrir a gaveta e deixá-la ver a luz do dia. A luz da vergonha.

Tenho 21 anos e já não sei como é estar apaixonada.

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