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Onde o Mar Abraça

Onde o Mar Abraça

Ultimamente, lembro-me várias vezes de um sonho em particular. Era adolescente ainda quando fui brindada com este sonho peculiar e magnífico na mesma medida. [Calma, que desta vez, não existe amor à mistura nem olhos verdes ou corpos musculados. Bem sei que é uma pena, só que terão de contentar-se com este e um gin, pode ser? Be my guest!]

Os sonhos nunca seguem uma linha concreta de raciocínio. Acho que os meus não são os únicos [espero bem que não], sendo isto uma verdade absoluta [sem margem para discussões…], este começou num lugar que não conheço. [Talvez em outra vida passada fui brindada com uma paisagem tão bonita e nesta resta-me ver o que há para ver por aqui… é lidar.] Estava a caminhar debaixo de um céu azul limpo de nuvens, com uma brisa agradável a balançar-me o cabelo e enquanto calmamente andava, passei por uma rotunda [sim, queridos, no meio do nada, começou foi aqui.] que foi de encontro a uma grande avenida. O passeio era de cimento apenas, tendo ao lado vias para passagem de carros. Nessa avenida haviam palmeiras e árvores pequenas. Tudo era verde, calmo, digno de um lugar paradisíaco. Poucas foram as pessoas que vi. Ainda assim, caminhei durante um bom bocado de tempo, dando finalmente com a entrada para um parque de estacionamento.

O parque era descoberto e em frente haviam umas escadas. O som do mar absorvia toda a minha atenção. Algumas gaivotas sobrevoavam baixinho, uns miúdos riam-se felizes, ao construir castelos na areia. Aproximei-me das escadas de acesso à praia de areia branca [para quem desconhece, em São Miguel (Açores) as praias têm areia castanha/preta, logo areia branca não é de todo aqui, logo é um sonhoooo] e antes de começar a descê-las pelo lado direito, fechei os olhos e senti tudo a meu redor. O sol alourando a minha pele, a brisa que tanto gosto, o som das gaivotas e do mar em sintonia, os risos das crianças, murmúrios de todo o tipo de pessoas e sobretudo, a calma, a serenidade e a felicidade que me transbordavam de dentro para fora. Automaticamente, mostrei um grande sorriso e abri o olhos.

Descalcei-me e desci as escadas. A princípio, as escadas eram à direita, seguindo-se à esquerda e finalmente à direita. Enterrei os pés na areia macia e fresca e caminhei até à margem esquerda. Estendi a toalha e pouco depois, uns amigos começaram a falar comigo. [Segundo as emoções que senti, a forma divertida com que conversamos e o facto de sentir que os conhecia e de eles se deitarem ao meu lado, fez com que pensasse que eram amigos — apesar de nunca os ter visto, na realidade.] Rimos imenso. Passamos um grande bocado na praia, até começar o pôr do sol. Quando os tons do céu se fundiram em azul, roxo e vermelho, levantamo-nos e saímos da praia.

Subi para uma caixa de uma carrinha e seguimos, a contar piadas, pela avenida que havia percorrido antes.

A serenidade que senti neste sonho, ainda consigo senti-la. Incrível não é? Como os sonhos passam e, embora, possamos não lembrarmo-nos de todos, alguns fixam-se nas nossas memórias com algum propósito. O propósito deste sonho? Não consegui desvendar. Ainda. O motivo de lembrá-lo agora? Provavelmente, porque necessito de sentir aquelas sensações, a paz, a calma, os amigos por perto, a areia nos pés, o som do mar, as gaivotas por perto, os risos das crianças (que não tinham telemóvel), as conversas divertidas entre pessoas. Isto remete-me para a questão de estarmos tão fixados constantemente, em aparelhos electrónicos e não apreciarmos de facto, o que temos em redor.

Ir à praia é mais do que se bronzear. É acalmar, respirar, meditar, purificar, desapegar, sentir é amar. Umas boas gargalhadas são sempre fundamentais para um bom dia de praia. Estar na presença de quem gostamos e de quem nos faz sentir bem deveria ser a regra fundamental para ir à praia. Acima de tudo, acredito que tudo na vida tem significado e os sonhos não são diferentes. Cada sonho tem o seu propósito e é por isso que alguns ficam memorizados e outros não. Possivelmente, porque os que ficam memorizados são essenciais para a formação da nossa pessoa e personalidade.

Acredito piamente que preciso desta calma na minha vida, de sentir com todos os poros e sentidos abertos e apurados. Preciso sentir e principalmente, deixar a vida encarregar-se de me apresentar quem devo conhecer, quem devo manter e quem devo deixar ir. Fui à praia, no sonho, sozinha. Não me senti sozinha. Estava feliz. Inesperadamente, e sem pedir nada, as minhas pessoas vieram até mim. Como traduzo isto? Para mim é lógico. Devemos estar felizes na nossa presença para podermos atrair outras pessoas significantes para a nossa vida. Pessoas do bem, que venham para acrescentar e para nos deixar ainda mais felizes. [Repararam que coloquei a negrito o “ainda mais”? Não foi porque sim. Dei ênfase para que entendam que se vocês não estiverem felizes, podem até conhecer mil pessoas que elas por si só, não conseguirão fazer-vos felizes. Precisamos ser felizes sozinhos para podermos atrair felicidade e ser felizes em conjunto.]

Este sonho e as reflexões que tiro dele são as mais indicadas para a minha atual situação? Muito provável. Encontrar-me e ser feliz sozinha está a ser das maiores aventuras de sempre. Admiti uma verdade cruel sobre mim, aos 21 anos. Terminei, pela primeira vez, um relacionamento (tóxico), deixei de tomar medicação para a ansiedade/impulsividade, reencontrei um amigo antigo, tenho alguns amigos por perto e sinto a necessidade de expandir o meu conhecimento, de meditar mais, de ser mais ponderada, otimista, pacífica e resiliente.

Quero praticar o desapego, deixar fluir (pois o universo traz-nos sempre para os lugares onde temos de estar) e sentir em plenitude. O que for para vir, virá. O que for para ser também. Agora só preciso de mentalizar-me e praticar isto.

Talvez, o propósito deste sonho seja apenas um alerta para acalmar, encontrar-me, ambientar-me a este novo “eu”, a sentir sem pressa, a amar sem medida, a seguir sem medo. Acho que é também um lembrete e uma motivação, afinal o meu subconsciente [que manda em toda a área de sonhos e muito mais] sabe que consigo ser aquela pessoa (do sonho), que posso sentir tudo o que senti por momentos naquela praia, que posso ser feliz sozinha e que só preciso de umas boas doses de mar, areia, silêncio, amigos e gargalhadas.

Venha o que tiver de vir, sei que virá porque é necessário, pois preciso evoluir. O ser humano necessita estar em constante evolução e aos 21 anos sinto essa necessidade cada vez mais presente. Sou grata pelo sonho/visão e pela lembrança. Farei os possíveis e impossíveis para que cada passo que dê me leve àquele ser que sei que consigo ser.

A minha praia de sonho, quem sabe?, pode mesmo ser essa. E, quem sabe, possa vir a descobri-la na realidade, algum dia? A seu tempo tudo virá.

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